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Entrevista realizada em 28 de maio de 2021, por Bruna Haubert com a colaboração de Maurício Cavalli (supervisor de T.I), Fabrício Schmidt (gestor de T.I, projetos e qualidade) e Anderson Prante (analista sênior de Indústria 4.0 na área de T.I).

A equipe de T.I da Bruning está apresentando ao cliente propostas de indústria 4.0 que promovem maior controle dos processos e melhoram a produtividade dentro da linha. Um dos aspectos salientados neste contexto é relativo à inspeção final de tanques, onde se faz o uso de um sistema de computação cognitiva, para realizar inspeção por imagem. São capturadas imagens do tanque de combustível, e com estas imagens verifica-se se os componentes de um determinado tanque estão de acordo com a lista de especificações que foi enviada pelo cliente via EDI à Bruning.

Este processo se viabiliza devido à integração horizontal que existe entre cliente e fornecedor utilizando sistema em nuvem de gerenciamento e controle do seu fluxo de informação via VAN ou rede de valor agregado. O cliente envia um arquivo eletrônico via EDI em que consta a lista de componentes especificamente exigidos para a fabricação de um determinado tanque. A referida lista de componentes é integrada ao sistema de inspeção por imagem, facultando a inspeção final do produto pronto. Tal inspeção garante que o produto seja produzido de acordo com o solicitado pelo cliente, sendo verificado visualmente se o produto inclui os itens requeridos, bem como se foi instalado adequadamente conforme parâmetros exigidos pelo cliente.

Para isso, foi realizado um treinamento do algoritmo do classificador, que é a preparação do modelo matemático para ensinar ao sistema o que é cada componente e suas especificidades, para posteriormente realizar a verificação/classificação de conformidade com o pedido.

Os entrevistados salientam que também há a integração vertical entre sistemas (cliente-fornecedor): de produção, inspeção e de montagem dos kits.

Um dos aspectos que justifica a integração destes sistemas é o fato do cliente atribuir penalidades à Bruning, quando existe algum problema relativo à qualidade do produto fornecido. Desta forma, após realizar uma análise, entendeu-se que em mais de 80% dos casos o problema estava na montagem dos kits (fase de separação de insumos), por isso se investiu em indústria 4.0.

Em decorrência disso, do início ao fim da linha, os produtos serão acompanhados por um conceito de QR code, individualizando cada tanque de combustível que passará por diferentes postos de trabalho e em cada posto o setup de cada máquina ocorrerá de acordo com o requerido no QR code do tanque. O objetivo é integrar a comunicação entre os diferentes equipamentos que compõem o processo produtivo, para identificar se um determinado tanque passou pelos processos corretamente, com o tempo correto pré-estabelecido, e se os parâmetros da produção, que ocorreram efetivamente estão em conformidade com os parâmetros pré-estabelecidos para a referida produção.

A partir metodologia FMEA, que estabelece que os modos de falha devem ser sistematicamente especificados, se estabelece qual a relação que o QR code deve ter dentro de cada posto de trabalho para evitar ou minimizar os possíveis modos de falha previstos.

O leitor que faz a leitura do QR code, interage diretamente com a célula de produção e envia comandos para o CLP do posto de trabalho que aciona os processos a serem executados em cada fase, especificamente. Conforme expõem os entrevistados, o desafio está na integração da linguagem de máquina entre os equipamentos que já existem na linha de produção e os novos que podem ser instalados para incrementar o processo, de forma que os dados sejam compartilhados na célula e os códigos sejam interpretados corretamente para gerar ações pertinentes. Para isso, são necessários servidores que convertem informações entre os equipamentos que devem interagir, mas que possuem linguagens diferentes. Este sistema possibilita integrações futuras mais facilitadas com serviços em nuvem ou outros sistemas que a empresa venha a implementar, basta que estes sistemas suportem a mesma linguagem de máquina. A linguagem escolhida é bem difundida mundialmente e está presente em muitos dos novos sistemas de informação ou hardware de mercado.

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